quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O CHICHARO


2016 é o Ano Internacional das Leguminosas. 
Em Janeiro escolhemos conhecer e mimar o Chícharo. 
Pedimos que partilhassem conosco 
histórias, receitas, dicas de cultivo, musicas... 
sobre esta maravilhosa leguminosa  
e agora aqui está o resultado de tudo o que nos enviaram

Gratidão a Tod@s

 
“o Janeiro já é chichareiro”
mas “De chícharos quem quiser mil,
semeie-os em Abril”.


Nome científico “Lathyrus sativus 
Família das “Fabáceas” ou leguminosas e subfamília das “papilionadas”,
com corola papilionácea, ou seja, corola
irregular de cinco pétalas desiguais com alguma semelhança com uma borboleta de asas abertas.
Ainda que persistam dúvidas sobre a sua origem, são várias as indicações de que será proveniente do Médio Oriente, supondo-se que foi introduzido em Portugal pelo Sul, onde se encontra a maior zona de cultivo, expandindo-se, de seguida, para as Beiras. 


Hoje são uma das leguminosas típicas das serras de Sicó-Alvaiázere. 
Recurso precioso dos mais pobres na década de 30-40 do século passado, 
o chícharo, apesar de não ser conhecido pelos mais jovens, está de regresso, 
para deleite dos saudosos deste manjar. 
Em Alvaiázere e em Santa Catarina da Serra (Leiria), 
realizam-se anualmente Festivais do Chícharo 
e em 2010 foi criada a Confraria do Chícharo.

Muitas vezes confundido com o tremoço e até com o grão-de-bico,
Os gregos chamavam-lhe “lathyrus” e os romanos “circula”. 
Do Latim “cicer”,  em Itália denomina-se “cicerchia”, 
em França “gesse”, 
na Alemanha “platersben”, 
na Inglaterra “vetchlings” 
e em Espanha “almorta”. 
Por cá é chícharo ou mais vulgarmente “Xíxaras”. 
Nalguns locais designa-se por chícharo o feijão frade.


 


 A semelhança visual com o tremoço leva a algumas confusões. 
A este propósito D. Lurdes proprietária da pastelaria Nabão em Ansião, 
conta uma história passada nos anos 50 

em que a esposa de um veterinário colocado em Ansião, 
desconhecedora de tal alimento mas conhecendo o tremoço, 
vê a família da D. Lurdes a comer chícharos com “couves miudinhas” 
e comenta com grande tristeza com o marido o facto 
de as pessoas serem tão pobres que comem tremoços com couves.
 
Pela associação à pobreza e com alternativas alimentares, 
o cultivo e consumo caíram em desuso. 
Revitalizaram-se nos últimos anos com aplicações inovadoras 
como purés, pudim, tartes e licores, 
além das já famosas Migas de chícharo ou da Chicharada. 
 Esteve ainda em destaque nas “7 Maravilhas da Gastronomia” 
De paladar agradável e requintado, ricos em flavonóides, proteínas, hidratos de carbono e sais minerais, são apetecidos por vegetarianos, vegans e macrobióticos, fazendo parte do grupo de leguminosas que se podem consumir em fresco ou secas. 
 

Na altura das Invasões francesas (em Espanha) 
foi dos poucos alimentos disponíveis. 
O pintor espanhol Goya retrata na colecção “Disastres de la guierra” 
o quadro “Gracias a la almorta” que demonstra a importância 
das papas de chícharo.
O seu consumo contínuo pode produzir uma 
intoxicação denominada latirismo, 
que pode afetar tanto o homem como os animais,
 caracterizada por tremores, paraplegia e parestesias. 

Tal intoxicação, devida à presença de certos aminoácidos neurotóxicos,
 afetou a população espanhola durante a grande fome 
que se seguiu à guerra civil espanhola.


O chícharo apresenta um grão/semente de forma quadrangular achatada e de cor clara que se encontra protegido no interior de vagens grossas, contendo três a quatro sementes cada.
Leguminosa anual, prostrada ou trepadora, com flor de cor branco-azulada, é considerada como melhoradora e regeneradora do solo, uma vez que o enriquece em azoto, através da simbiose com a bactéria rizóbio.

propaga-se por sementeira no local definitivo.
 Não precisa de se preocupar muito com a escolha do solo para o semear,
 uma vez que esta cultura se adapta facilmente a solos pobres e secos, ligeiros, permeáveis e calcários, fugindo dos terrenos húmidos e compactos. 
Pode até efectuar a sementeira por entre as árvores do seu quintal ou num canto menos apropriado para culturas mais exigentes e aproveitar as vantagens da adubação azotada que a planta lhe oferece. 

A época de sementeira decorre de Fevereiro a Abril, 
tendo o ciclo cultural uma duração de cerca de 100-120 dias. 
Recomenda-se a sementeira em linhas distanciadas entre si 
cerca de 30-40cm e 10-15cm entre plantas na linha. 
A profundidade de sementeira deve rondar os 5cm.

Diz a sabedoria popular que
 “o Janeiro já é chichareiro” 
mas “De chícharos quem quiser mil, 
semeie-os em Abril”

Não exige grandes cuidados, devendo ter em atenção ás ervas que possam surgir antes de a cultura estar instalada, removendo-as manualmente ou com a ajuda de um sacho. 
Resistente à seca, a cultura desenvolve-se com a água disponibilizada pela chuva. 
No entanto, se o tempo decorrer muito seco regue, mas não encharque o solo.


Para consumir o chícharo em fresco, proceda à colheita das vagens quando o grão/semente se encontrar no estado pastoso, à medida das suas necessidades. 
Caso pretenda consumir o chícharo seco, deixe o ciclo vegetativo terminar e quando as vagens se encontrarem secas colha as plantas e coloque-as ao sol até ficarem estaladiças.
 Muitas irão deixar cair naturalmente a semente, devendo as restantes ser descascadas de forma a retirar a semente. Depois de limpa, sujeite a semente a exposição solar intensa durante dois-três dias de forma a ficar bem seca e a poder ser conservada para consumo durante o inverno.

Esta bela leguminosa  é usada também como suplemento ou reforço na alimentação de animais, a par com as favas, em períodos de reprodução ou de trabalho desgastante.



Video de ForSerra - Santa Catarina da Serra
Produção e edição: ForSerra / Miguel Marques


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