Partilhamos convosco o resumo de um belo Encontro de Partilha do
CIRCULO DE SEMENTES DO BARLAVENTO ALGARVIO
"Apesar da chuva e do frio extremo, os 14 participantes deste workshop lá foram montando um secador solar. Muito bem orientados pelo Werner, o artista e criador, a obra lá foi tomando forma até ao resultado final. Foi muito, muito interessante, aprendemos bastante com o mestre e foi um belo convívio e uma enriquecedora partilha de interesses e experiências"
Decorreu no dia 21, o3º encontro do Círculo de Sementes Ser*Vagem, nos Picheleiros, Azeitão.
Continuando a circulação pelos espaços dos vários membros do círculo, e continuando a aliar uma ajudada no espaço proposto, fomos ajudar a Ana Castilho a delinear um caminho no seu bosque. Actividade essa que alegremente nos ocupou a manhã.
E foi então tempo de recuperar energias com um belo almoço partilhado ao solinho. De seguida, e continuando o nosso propósito de incluir também sempre um momento de formação nas matérias, o Claúdio Gonçalves partilhou connosco o seu imenso saber, com uma oficina de germinação, que terminou um pouco mais abruptamente do que o previsto, com umas pingas e uma bela trovoada.
Mas logo passou, e de novo subimos a outro alto, para aí sentirmos a energia do círculo e libertarmos as nossas energias criativas a fazer uma mandala a muitas mãos :)*
Aqui
fica o convite pelo Dinamizador do Circulo João Cunha "Vamos
construir um secador solar, para frutas e legumes. Formador:
Werner Breidert. Vamos
todos aprender a construir um secador solar, a partir de um modelo,
que o Werner irá construir. O
Werner irá também entregar aos participantes fotocópias com os
planos e as instruções de construção do secador solar, que depois
cada participante poderá reproduzir em casa, adaptando às suas
necessidades e ás medidas que deseja . O
Workshop é gratuito porque o Werner recusa-se a receber qualquer
pagamento em dinheiro. Eu insisti bastante, mas ele quando muito
aceitou receber de cada participante uma "prenda" com
qualquer coisa que cada um queira oferecer pelo seu trabalho ( frutos
ou legumes da horta, uma peça de artesanato, qualquer coisa que cada
um de nós julgue adequado a um artesão/artista, que ele
verdadeiramente é). Ele
disse-me que fazia o workshop pelo prazer da partilha, da troca de
saberes e experiências. Apenas as fotocópias deverão ser pagas,
como é evidente. O
primeiro dia será o mais importante, mas ele insistiu em fazer o
workshop em 2 dias, porque entende que 1 dia só não é suficiente
para terminar tudo. As
refeições (almoços dos 2 dias) poderão ser partilhados, como nós
geralmente fazemos ou se alguém quiser, pode-se marcar almoço na
pizaria lá da Pedralva."
Data:
27
e 28 de Fevereiro Local: Pedralva,
Carrapateira
Em Janeiro escolhemos conhecer e mimar o Chícharo. Pedimos que partilhassem conosco histórias, receitas, dicas de cultivo, musicas... sobre esta maravilhosa leguminosa e agora aqui está o resultado de tudo o que nos enviaram
Gratidão a Tod@s
“o
Janeiro já é chichareiro” mas “De chícharos quem quiser
mil, semeie-os em Abril”.
Nome
científico “Lathyrus
sativus”
Família
das “Fabáceas” ou leguminosas e subfamília das “papilionadas”,
com
corola papilionácea, ou seja, corola irregular
de cinco pétalas desiguais com alguma semelhança com uma borboleta
de asas abertas. Ainda
que persistam dúvidas sobre a sua origem, são várias as indicações
de que será proveniente do Médio Oriente, supondo-se que foi
introduzido em Portugal pelo Sul, onde se encontra a maior zona de
cultivo, expandindo-se, de seguida, para as Beiras.
Hoje
são uma das leguminosas típicas das serras de Sicó-Alvaiázere.
Recurso
precioso dos mais pobres na década de 30-40 do século passado,
o
chícharo, apesar de não ser conhecido pelos mais jovens, está de
regresso,
para
deleite dos saudosos deste manjar.
Em
Alvaiázere e em Santa Catarina da Serra (Leiria),
realizam-se
anualmente Festivais do Chícharo
e
em 2010 foi criada a Confraria do Chícharo.
Muitas
vezes confundido com o tremoço e até com o grão-de-bico,
Os
gregos chamavam-lhe “lathyrus” e os romanos “circula”.
Do
Latim “cicer”, em Itália denomina-se “cicerchia”,
em
França “gesse”,
na
Alemanha “platersben”,
na
Inglaterra “vetchlings”
e
em Espanha “almorta”.
Por
cá é chícharo ou mais vulgarmente “Xíxaras”.
Nalguns
locais designa-se por chícharo o feijão frade.
A
semelhança visual com o tremoço leva a algumas confusões.
A
este propósito D. Lurdes proprietária da pastelaria Nabão em
Ansião,
conta
uma história passada nos anos 50
em
que a esposa de um veterinário colocado em Ansião,
desconhecedora
de tal alimento mas conhecendo o tremoço,
vê
a família da D. Lurdes a comer chícharos com “couves miudinhas”
e
comenta com grande tristeza com o marido o facto
de
as pessoas serem tão pobres que comem tremoços com couves.
Pela
associação à pobreza e com alternativas alimentares,
o
cultivo e consumo caíram em desuso.
Revitalizaram-se
nos últimos anos com aplicações inovadoras
como
purés, pudim, tartes e licores,
além
das já famosas Migas de chícharo ou da Chicharada.
Esteve
ainda em destaque nas “7 Maravilhas da Gastronomia”
De
paladar agradável e requintado, ricos em flavonóides, proteínas,
hidratos de carbono e sais minerais, são apetecidos por
vegetarianos, vegans e macrobióticos, fazendo parte do grupo de
leguminosas que se podem consumir em fresco ou secas.
Na
altura das Invasões francesas (em Espanha)
foi
dos poucos alimentos disponíveis.
O
pintor espanhol Goya retrata na colecção “Disastres de la
guierra”
o
quadro “Gracias a la almorta” que demonstra a importância
das
papas de chícharo.
O
seu consumo contínuo pode produzir uma
intoxicação
denominada latirismo,
que
pode afetar tanto o homem como os animais,
caracterizada
por tremores, paraplegia e parestesias.
Tal
intoxicação, devida à presença de certos aminoácidos
neurotóxicos,
afetou
a população espanhola durante a grande fome
que
se seguiu à guerra civil espanhola.
O
chícharo apresenta um grão/semente de forma quadrangular achatada e
de cor clara que se encontra protegido no interior de vagens grossas,
contendo três a quatro sementes cada.
Leguminosa
anual, prostrada ou trepadora, com flor de cor branco-azulada, é
considerada como melhoradora e regeneradora do solo, uma vez que o
enriquece em azoto, através da simbiose com a bactéria rizóbio.
propaga-se
por sementeira no local definitivo.
Não
precisa de se preocupar muito com a escolha do solo para o semear,
uma
vez que esta cultura se adapta facilmente a solos pobres e secos,
ligeiros, permeáveis e calcários, fugindo dos terrenos húmidos e
compactos.
Pode
até efectuar a sementeira por entre as árvores do seu quintal ou
num canto menos apropriado para culturas mais exigentes e aproveitar
as vantagens da adubação azotada que a planta lhe oferece.
A
época de sementeira decorre de Fevereiro a Abril,
tendo
o ciclo cultural uma duração de cerca de 100-120 dias.
Recomenda-se
a sementeira em linhas distanciadas entre si
cerca
de 30-40cm e 10-15cm entre plantas na linha.
A
profundidade de sementeira deve rondar os 5cm.
Diz
a sabedoria popular que
“o
Janeiro já é chichareiro”
mas
“De chícharos quem quiser mil,
semeie-os
em Abril”
Não
exige grandes cuidados, devendo ter em atenção ás ervas que possam
surgir antes de a cultura estar instalada, removendo-as manualmente
ou com a ajuda de um sacho.
Resistente
à seca, a cultura desenvolve-se com a água disponibilizada pela
chuva.
No
entanto, se o tempo decorrer muito seco regue, mas não encharque o
solo.
Para
consumir o chícharo em fresco, proceda à colheita das vagens quando
o grão/semente se encontrar no estado pastoso, à medida das suas
necessidades.
Caso
pretenda consumir o chícharo seco, deixe o ciclo vegetativo terminar
e quando as vagens se encontrarem secas colha as plantas e coloque-as
ao sol até ficarem estaladiças.
Muitas
irão deixar cair naturalmente a semente, devendo as restantes ser
descascadas de forma a retirar a semente. Depois de limpa, sujeite a
semente a exposição solar intensa durante dois-três dias de forma
a ficar bem seca e a poder ser conservada para consumo durante o
inverno.
Esta
bela leguminosa é usada também como suplemento ou reforço na
alimentação de animais, a par com as favas, em períodos de
reprodução ou de trabalho desgastante.